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Nataly e Rafaela, o retorno

Biblioteca/Artigos/Ética
14 de Outubro

Rafaela já está a três semanas frequentando a creche, mesmo com um afastamento por conta de uma diarréia, se adaptou a rotina. Na parte da manhã passou a brincar muito, participando das diversas atividades oferecidas, na hora do almoço, costuma comer muito bem, porém, quando é chegada a hora de dormir, fica muito brava, costuma abrir o maior berreiro, não deixando que suas educadoras se aproximem. As educadoras tem tentado diversas estratégias para acalmá-la, sabendo que costuma dormir no peito da mãe.

Passou a não querer ficar em sala, nem dormir, embora tenha sido dada a opção de não dormir e brincar na própria sala. Era comum que alguma das coordenadoras passasse em sua sala, e a levasse para passear pela creche, dando-lhe atenção exclusiva, ou mesmo levando-a para brincar no berçário quando os bebês acordavam. Nestes momentos parava de chorar.

Foi numa tarde comum após o almoço que Nataly e Joselma me disseram que achavam que a estratégia deveria mudar. Na sala de BII como de costume Rafaela estava chorando a altos brados. Nataly tentava consolá-la mas não havia jeito, tentava pegá-la no colo e ela se desvencilhava, sempre chorando muito forte. Foi então que eu disse a Nataly:

T Vamos ignorar a Rafa, vamos deixar ela chorar e não vamos dar a menor atenção a ela.
(Nunca havia me ocorrido que ela estava nos chantagiando, mas era exatamente isto que ela estava fazendo, quando não fazíamos o que ela queria, ou seja, ir para o berçário ou ficar por conta de alguma de nossas coordenadoras, ela abria o maior berreiro, como se fossemos as mais cruéis das criaturas que Deus pôs sobre o mundo! Reparei também que quando Nataly procurava acolhê-la, tanto com palavras, como fisicamente, ela chorava mais ainda, repetindo assim: “Eu não quelo, eu não quelo”, e berrava, berrava, se esguelava, mas nos mantivemos firmes, sem lhe dar nenhuma atenção).

Nataly passou a acolher algumas crianças que ainda não tinham dormido completamente, eu fiquei com o Miguel, que embora estivesse quietinho, eu não podia sair de perto dele, porque senão ele começava a chorar. E Rafaela chorando, chorando, se esgoelando, berrando. Alternava estes momentos com alguns silêncios, e retomava o choro de novo.

Foi até sua mochila, não sei exatamente o que queria pegar lá, e continuava chorando, após 30 minutos initerruptos de choro intenso, começou a diminuir a intensidade, e os silêncios e choramingos aumentaram. Tive que sair, alguém me chamava no B1.

Nataly manteve a mesma postura e Rafaela se aconchegou em sua mochila e quase dormiu. Quando Nataly resolveu comer um salgadinho que havia comprado, ofereceu a menina que no primeiro momento recusou, porém a educadora deixou-o próximo para que quando sentisse vontade aceitasse, se afastou e continuou sem dar atenção para os choramingos. Rafaela começou a comer o salgadinho (e isso acredito eu trouxe um prazer oral como o peito da mãe, disse-me Nataly). Em poucos minutos a própria menina encontrou da sua melhor maneira uma forma de se aconchegar e dormiu por cima de sua mochila. Acordou depois de mais ou menos uma hora comeu e brincou normalmente como de costume.

Segundo Nataly: "A menina Rafaela percebeu com nossa atitude de não mais permitir que saísse da sala durante o período do sono, que ali naquele momento ela teria duas opções a de dormir ou brincar sem atrapalahar os colegas, porém deveria permanecer junto com sua professora em sala. Acredito que ela percebeu que não cederíamos a todos os seus desejos.

No dia seguinte já notamos um resultado positivo do ocorrido do dia anterior, ao prepararmos a sala para a hora do descanso a menina Rafaela já se comportava diferente, ainda demonstrou resistências, porém não tantas, chorou menos e se rendeu ao cansaço de seu corpo. Dormiu, novamente com sua mochila em uma almofada que estava no chão. Nós educadoras ficamos felizes com este pequeno resultado, pois havíamos, talvez, encontrado uma luz no fim do túnel.

Passado um longo fim de semana com a emenda de um feriado, retornamos nossas atividades na creche, e confesso que esperávamos uma recaída, mas... Surpresa!!! Conseguimos! Rafaela havia nos revelado os truques de seu jogo.

Ao iniciarmos aquele momento antes tão sofrido do sono, lá estava Rafaela tranquila sem demonstrar qualquer  incomodo com aquela situação, Choro? Não, não, não havia mais, das duas opções que havíamos oferecido a ela neste dia escolheu a de não dormir, mas permaneceu em sala com sua educadora, brincando enquanto seus outros amigos dormiam, respeitou o combinado não fazendo barulhos desnecessários que incomodassem os demais que descansavam.

Continuaremos observando e registrando suas reações dentro dos limites que lhe são dados, levando ainda em consideração o aleitamento, que acreditamos ser também um dos fatores que esteja dificultando sua adaptação para este momento de dormir aqui na creche.

Vale ressaltar que a Rafa é uma criança esperta, inteligente e que no ambiente familiar tem total liberdade para fazer o que quer. É a primeira filha do casal e única. Certa vez sua mãe nos declarou:
M: O pai faz tudo o que ela quer.

Acreditamos sinceramente que não deva ser apenas o pai, mas todos, encantados com a pequena.

Autoras: Nataly M. Simão e Vera Christina Figueiredo (Teca).

Vera Christina Figueiredo
Ética

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