Na creche, o que fazer na hora do choro?

Pode não parecer, mas a vida de uma criança até 3 anos tem uma porção de desafios e uma boa dose de estresse! Sem contar com a fala bem desenvolvida, os pequenos não têm muitas opções além das lágrimas, que podem acompanhar chorinhos sofridos ou mesmo choradeiras de assustar a vizinhança... Saiba Mais

Transforme sua compra em Doação

Grão da Vida fecha parceria com O Polen, uma plataforma que transforma sua compra em doação. Saiba Mais

Projeto Pedagógico

Este documento visa aprofundar algumas concepções e formas de organização presentes nos Referenciais Nacionais de Educação Infantil, situar algumas propostas e descartar outras... Saiba Mais

Sobre nossa escola

“Na instituição de educação infantil, pode-se oferecer às crianças condições para as aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras e aquelas advindas de situações pedagógicas intencionais ou aprendizagens orientadas pelos adultos... Saiba Mais

XI Congresso SOBEI

Grão da Vida tem participação brilhante em Congresso da SOBEI... Saiba Mais

Nossos projetos / voltar

Projetos de Pesquisa

Criança durante a pesquisa, sem querer ir para sala
Atividade de pintura dentro da sala
Crianças durante atividade de desenho em sala

Agressividade e Formas de Organização do Cotidiano na Educação Infantil

Ao longo destes anos o Grão da Vida estabeleceu muitas parcerias com Universidades, servindo de campo de estágio para alunos universitários. Em decorrência, muitos trabalhos de pesquisa foram realizados, em diferentes áreas do conhecimento: Enfermagem, Nutrição, Pedagogia e Psicologia. Consideramos que ao longo destes anos contribuimos para a formação de profissionais em diferentes áreas.

Ao mesmo tempo nos inquietávamos com nossa própria experiência, foi assim que surgiu a ideia de realizar uma pesquisa sobre o que vivíamos na prática. Idealizamos uma pesquisa intitulada Agressividade e Formas de organização do cotidiano na Educação Infantil com o intuito de fundamentar cientificamente os resultados obtidos com a implementação do projeto.

Resumo
As creches conveniadas são instituições de educação infantil que atendem aproximadamente a 85% da população do município de São Paulo, na faixa etária de 0 a 4 anos. Após a experiência convivida, em uma instituição de ensino deste porte, verificou-se que crianças que passam maior tempo no parque, com atividades onde podem se engajar ou não, alternadas com atividades formais de aprendizagem (duas por dia) passam a apresentar um menor número de comportamentos agressivos no convívio interpessoal. Esta pesquisa busca apreender de nossa experiência, e sob o vértice científico, se nossas formas de organização do cotidiano escolar de fato contribuem para a qualidade de convívio nestas instituições.

Descrição de nossa experiência
Quando chegamos à escola, no início de 2006, era comum ouvir as professoras contarem “casos” de crianças com problemas de relacionamento e disciplina. Uma das mais marcantes foi a respeito de um menino de 6 anos, “Caio”, que chegou a destruir a sala da coordenadora porque desejava ir embora para sua casa e não podia. Outro relato foi a respeito de um pequeno grupo de crianças que decidiram jogar pedras nas educadoras que ousassem se aproximar, para retirá-las de perto da horta da escola.

O fato é que o cotidiano na instituição era altamente sistematizado sob a forma de planejamentos, que encadeavam atividades formais de aprendizagem, na maior parte do período escolar. A maioria destas atividades se davam dentro de sala de aula, e o tempo no parque costumava ser de 35 min a 40 min.

Quando assumi a coordenação da escola, nas conversas com as educadoras de cada grupo etário, as orientações foram o seguinte:
- passar longos períodos no parque (até 2 horas);
- oferecer atividades às crianças ao longo deste período;
- as crianças não precisavam participar das atividades se não desejassem.

Por exemplo:

Mini-grupo
Faixa Etária: 2 anos e 2 meses a 3 anos e 11 meses
Local: Parque
Período: manhã
Duração: 2 horas

Período da Manhã
- Bola, potinhos na areia, bolinhas de sabão e fantasias.

Mini-grupo
Faixa Etária: 2 anos e 2 meses a 3 anos e 11 meses
Local: Parque
Período: tarde
Duração: 1 hora e meia

Período da Tarde
- Música, desenho, pintura no rosto e barangandão arco íris

Já nos primeiros meses as professoras passaram a comentar naturalmente a respeito das mudanças. As crianças já não brigavam tanto, não fugiam da sala no momento das atividades, e se machucavam menos.

As mordidas, muito frequentes na faixa etária de 1, 2 até 3 anos, também haviam diminuído bastante. Neste primeiro ano de nossa atuação, contamos apenas o caso de um mordedor freqüente no segundo semestre, um bebê do Berçário Menor.

Em 2007, as mordidas apareceram também com freqüência reduzida, casos isolados, em Berçário Menor, Berçário Maior e Mini-Grupo. O grupo de crianças com dificuldades na adaptação, ou seja, extremamente retraídas e que chegam até a poder parar de brincar e normalmente ficam sempre junto às educadoras, também chegou a perto de zero.

Estes resultados foram expressivos e também se estenderam ao grupo de professoras, que relataram se sentir mais próximas das crianças e mais tranquilas, para a realização do trabalho. Vale dizer que não eliminamos as atividades formais de aprendizagem, tendo como principal referência para realizá-las, os Referenciais Nacionais de Educação Infantil. O que alteramos foi sua “posologia”.

Foi interessante observar que esta forma de organização combinada: atividades formais de aprendizagens e atividades oferecidas no parque por longos períodos, onde as crianças podiam se engajar ou não, nos pareceu um bom modelo de atuação em educação Infantil.

Através do que foi vivido por nós e da potência do que pudemos observar, aprofundamos este trabalho, acompanhando suas implicações na possibilidade de desenvolvimento de nossas crianças e da instituição.

Sendo assim, ao final de 2006 criamos uma nova forma de organização para nosso cotidiano na escola, e intimamente relacionada a nossa experiência de então:

- A maior parte das ações educativas passou a ser coletiva, já que as crianças de diferentes faixas etárias (2 a 5 anos) passam mais tempo no parque juntas do que dentro de sala de aula.

- Esta forma de organização denominou-se “Núcleos coletivos para o Parque”; onde as atividades são oferecidas por temas, de forma coletiva, e as crianças podem escolher participar ou não. Neste momento as educadoras responsáveis por cada núcleo atuam junto a todas as crianças que se interessarem pelo mesmo, não apenas pelo grupo etário do qual são responsáveis.

- As crianças de B1 também participam das atividades previstas nos núcleos coletivos.

Objetivos Gerais: Núcleos Coletivos Para o Parque
- Proporcionar diversas atividades e materiais de livre acesso às crianças de forma coletiva;
- Respeitar o interesse e engajamento das crianças, em relação as atividades oferecidas;
- Proprocionar materiais e atividades que contribuam para o desenvolvimento integral das crianças, ou seja, nos aspectos afetivo, físico e cognitivo;
- Coletivizar nossas ações educativas dentro da escola.

São os Núcleos:
- Artes, Intervenções e Materiais 
- Histórias
- Brincadeiras (brinquedos de roda, brinquedos de mão, pegadores, esconde-esconde, elástico, amarelinhas, pipa, entre outros)
- Corpo (Técnicas de massagem: Shiatsu e Calatonia – Toques Sutis)

Justificativa
Ao observar estas experiências vividas na escola tínhamos a príncipio, um registro empírico das mudanças. Foi então que surgiu o desejo, e mesmo a necessidade, de buscar a possibilidade de uma apreensão científica da mesma.

Procuramos organizar uma pesquisa, que isolasse as variáveis que  intuitivamente consideramos as mais significativas para o fenômeno que nos interessava, ou seja, a diminuição da agressividade no convívio das crianças na escola. Resta verificar se o que consideramos de forma empírica e intuitiva terá relevância sob a consideração do vértice científico que estamos procurando engendrar.

Para compreender o fenômeno
É importante destacar que estamos considerando como agressividade as seguintes manifestações de comportamento por parte das crianças: bater, empurrar, arrancar um brinquedo da mão do colega, puxar o cabelo, morder, chutar e xingar.

O que estamos denominando como formas de organização, é a maneira como o cotidiano se organiza na escola, ou seja, como as atividades são apresentadas às crianças pelo professor, aonde são realizadas e por quanto tempo.

Em nossa pesquisa interessa saber se a atividade é dirigida pelo professor, com uma proposta que é apresentada às crianças, para que elas a realizem, ou se a atividade é apresentada, porém as crianças podem escolher participar ou não.

Estamos denominando este aspecto de Dirigibilidade e Não Digiribilidade das atividades apresentadas pelo professor. Outro aspecto das formas de organização que nos interessa é saber aonde as atividades são realizadas, no parque ou em sala de aula. Ou seja em um ambiente de Confinamento (sala de aula) ou de Não Confinamento (Parque).

A Dirigibilidade das atividades e o local de sua realização são duas variáveis combinadas que iremos correlacionar com as manifestações do que consideramos como agressividade por parte das crianças.

Plano de Pesquisa

Objetivo: 
Esta pesquisa se propõe a investigar a correlação de determinadas formas de organização do cotidiano, a saber: confinamento e manejo do oferecimento de atividades e sua relação com a agressividade apresentada pelas crianças que freqüentam estas instituições de ensino.

Hipóteses:
Grupos etários de crianças que frequentam instituições de educação infantil em período integral (10 horas) e que estão submetidas a um regime de atividades altamente sistematizado, onde estas ocorrem sempre dirigidas pelo professor, em sua maioria dentro de sala de aula: Ho - Não apresentam um comportamento mais agressivo; do que; H-1 crianças que freqüentam a mesma configuração de instituição de ensino, porém, com propostas onde podem escolher participar ou não, sendo a maior parte das atividades oferecidas no parque.

Metodologia:
Sujeitos da Pesquisa:

- Grupos etários (Berçario Menor, Berçário Maior, Mini-Grupo, Primeiro Estágio, Segundo Estágio) de crianças que freqüentam instituições de ensino, no município de São Paulo sob o regime de conveniamento.

Onde:
Berçário Menor – 14 crianças
Berçário Maior – 18 crianças
Mini-Grupo – 24 crianças
Primeiro Estágio – 18 crianças
Segundo Estágio - 20

Obs: o número de crianças por sala é determinado pela Prefeitura do Município.

Coleta de Dados:
1. Os comportamentos considerados agressivos a serem observados, estão previamente definidos.
2. Situações a serem observadas por cada grupo etário configurados nas instituições de ensino:

confinamento e livre escolha das atividades oferecidas x agressividade
confinamento e participação em atividades dirigidas x agressividade
não confinamento e livre escolha das atividades oferecidas x agressividade
não confinamento e participação em atividades dirigidas x agressividade

Assim, temos que:

Confinamento = C
Não Confinamento = C`
Dirigido = D
Não Dirigido = D`
A = Agressividade
A` = não agressividade
E podemos representá-los assim:
CD X A
C`D` X A
CD` X A
C`D X A

Ficha de Identificação

Mini-Grupo I e II
Faixa etária – 2 e dois meses a 3 e 11 meses
Tempo da Observação – 7:30 às 8:00 Hs
Número de Crianças – 24

Durante a pesquisa observaremos dois grupos etários iguais com configurações diferentes, por exemplo:

Confinamento, Dirigibilidade-Agressividade
A
A`
Total
CD (MG I)

C`D` (MG II)

Obs: MG = Mini-Grupo

Ao observar, o número de ocorrências de comportamento agressivos nas situações apresentadas, comparativamente, poderemos apreciar se os resultados tem significância estatística, no caso, determinamos que o nível de significância será 0,05.
grau de confiança será 5.
Será utilizado o teste do K² (qui-quadrado)
Obs: no momento estamos realizando a pesquisa piloto.

Bibliografia

DE VRIES, Rheta; ZAN, Bety. A Ética na Educação Infantil: o ambiente sócio-moral na escola”. São Paulo: Artmed,1998.
GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
KRAMER, Sonia. Com a pré-escola nas mãos: Uma alternativa curricular para a educação infantil. São Paulo: Ática, 2000.
LA TAILLE, Yves de. Limites: três dimensões educacionais. São Paulo: Ática.
LA TAILLE, Yves de. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.
PIAGET. O Juízo Moral na Criança. São Paulo: Summus.
PATO, Maria Helena. Psicologia Escolar. São Paulo.
SAVATER, Fernando. Ética para meu filho. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
SAVATER, Fernando. Ética como amor próprio. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
VYGOTSKY, Formação social da mente. São Paulo.
WAJSKOP, Gisela. Brincar na pré-escola. São Paulo: Cortez, 1999, Jaeger. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo.

Pesquisa Piloto

A pesquisa piloto foi realizada em uma sala de crianças de mini-grupo II, ou seja, crianças de 3 anos até 3 anos e onze meses, o número de crianças por sala determinado pela prefeitura é de 24, uma professora de sala e uma professora auxiliar que entra em sala em alguns momentos oferecendo apoio.

Foi observado este grupo em regime de confinamento, por 7 dias no período da manhã, ou seja, as atividades eram oferecidas em sala e o grupo foi ao parque por 30 min.

Depois observamos o mesmo grupo em regime de não confinamento, por sete dias, no período da manhã, ou seja, a maior parte das atividades eram oferecidas no parque (Núcleos Coletivos para o Parque), as crianças podiam escolher participar ou não.

Resultados

Primeira Fase

Observação realizada no período da manhã - 8:00 Hs às 12:00Hs.

• Crianças em regime de atividades formais de aprendizagem, com apenas 30 min de parque e  maior confinamento em sala de aula.

Número de Agressões:
Primeiro Dia
22 agressões
14 crianças

Segundo Dia
32 agressões
15 crianças

Terceiro Dia
63 agressões
16 crianças

Quarto Dia
33 agressões
13 crianças
obs. oferecimento de atividade de pintura.

Quinto Dia
45 agressões
15 crianças

Sexto Dia
41 agressões
9 crianças

Sétimo Dia
73 agressões
12 crianças

Segunda Fase

Observação realizada no período da manhã - 8:00 Hs às 12:00 Hs.

• Crianças em regime de "Núcleos Coletivos para o Parque", com duas horas de parque e menor confinamento em sala de aula.

Primeiro Dia
19 agressões
14 crianças

Segundo Dia
19 agressões
13 crianças

Terceiro Dia
19 agressões
16 crianças

Quarto Dia
15 agressões
16 crianças

Quinto Dia
Dia de Chuva

Sexto Dia
11 agressões

12 crianças
Sétimo Dia

13 crianças
14 agressões

O que foi possível observar:

• na primeira fase o número de agressões supera o número de agressões da segunda fase;
• na primeira fase o número de agressões foi aumentando com o passar dos dias;
• na segunda fase o número de agressões permaneceu praticamente o mesmo com o passar dos dias, com uma tendência a diminuir.

Novas perguntas surgiram depois desta fase da Pesquisa:

1. Pensando no problema que colocamos para estudar, as variáveis confinamento x não confinamento, são as mais relevantes para serem estudadas?

2. E as atividades oferecidas? E a maneira como foram oferecidas? Podemos desprezar? Sim? Não? Por que?

3. E a capacidade de mediar conflitos da educadora?

4. Seria interessante considerar o comportamento da educadora com as crianças como uma outra fase da pesquisa?

Estas questões surgiram porque observamos que no dia que a educadora ofereceu atividade de pintura, mesmo em regime de confinamento, as agressões diminuíram muito. Observamos também que a educadora que estava com as crianças tinha uma atitude de contenção dos comportamentos agressivos, não havia uma habilidade maior para a mediação dos conflitos.

obs. Como pudemo observar esta pesquisa pode ter muitos desdobramentos, no momento foi o que pudemos alcançar.

Autora: Vera Christina Figueiredo
Coleta de dados: Samanta Veiga
Orientador: Prof. Dr. Ryad Simon
Interpretação dos dados: Ryad Simon, Samanta Veiga e vera Christina Figueiredo

Objetivos

Fundamentar cientificamente os resultados alcançados de forma empírica no Projeto.

Ficha do Projeto

Início
2013
Status
Em andamento
Área Programática
Localização
CEI Manoel Bispo dos Santos
Resultados Esperados


indique

Acompanhe

Indique

Indique e compartilhe o site do Grão da Vida:


Destinatários:

Enviar